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Atletas

Análise de momento: peso-leve

Poucas divisões são tão saturadas de talentos como o peso-leve, onde o intocável Khabib Nurmagomedov permanece sobre os demais

Ah, o peso-leve. Talvez não haja outra divisão com mais manchetes, dramas e lutadores talentosos em busca do topo. Três dos cinco primeiros ranqueados tiveram algum cinturão em algum momento, e os outros dois estão a caminho de conquistarem suas chances. Entretanto, muita coisa terá que acontecer até que eles consigam.

Khabib Nurmagomedov é tão dominante quanto já se viu dentro do Octógono e, mesmo assim, Tony Ferguson está em uma sequência igualmente dominante, mas esse embate segue escapando das nossas mãos. Além disso, Conor McGregor pareceu rejuvenescido e focado contra Donald Cerrone, e quer revidar após a derrota por finalização para Khabib. Enquanto isso, Justin Gaethje segue sendo o lutador mais empolgante já visto, com um pedigree no wrestling que torna interessantíssimo um possível duelo com o campeão. Dan Hooker está buscando se tornar o novo membro do grupo desafiando Dustin Poirier, tão experiente e perigoso quanto qualquer outro.

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Tendo isso dito, vamos dar uma olhada na categoria:

Campeão: Khabib Nurmagomedov
(28-0, 8 nocautes, 10 finalizações)

Última luta: vitória por finalização sobre Dustin Poirier (7/9/2019)

Próxima luta: a definir

Panorama: Dominante. Aterrorizante. Qualquer adjetivo que soar agressivo é apropriado para definir a presença de Khabib Nurmagomedov no Octógono. Ele ainda não encontrou um adversário que iguale seu ritmo incansável, muito menos que faça frente à sua luta agarrada. Apenas Conor McGregor pode dizer que venceu um round contra ele, mas mesmo assim, Khabib despachou a estrela irlandesa pouco depois. Contra Dustin Poirier, parecia qualquer uma de suas lutas. Em cada combate, Nurmagomedov mostra uma trocação em evolução e capacidade de levar seus oponentes para a grade e derrubá-los ao invés de correr riscos no meio do Octógono. O embate com Tony Ferguson é iminente e vai ser importante para seu legado quando acontecer. Também no horizonte está uma aguardada revanche com McGregor, algo que vai atrair os olhos do mundo mais uma vez. Nurmagomedov ainda precisa mostrar alguma fraqueza em seu jogo, o que é ainda mais impressionante considerando a divisão em que ele reina.

1) Tony Ferguson
(26-3, 13 nocautes, 8 finalizações)

Última luta: vitória por nocaute técnico sobre Donald Cerrone (8/6/2019)

Próxima luta: Justin Gaethje no UFC 249

Panorama: independentemente de quantos vídeos de paródia tenham sido feito dos treinamentos pouco ortodoxos de Tony Ferguson, você não pode fazer piadas sobre os resultados e suas performances. Embalado por uma sequência de 12 vitórias seguidas que teve início em outubro de 2013, apenas três oponentes chegaram à decisão dos jurados nessa campanha. Atualmente, são três triunfos consecutivos antes dos 15 minutos, incluindo a finalização sobre Kevin Lee que lhe rendeu o título interino dos leves, e o confronto com Khabib Nurmagomedov é o que todos querem ver. Um dos atletas mais dinâmicos do plantel, a pressão de Ferguson, sua capacidade de se adaptar e sua agressividade em todos os aspectos do jogo fazem dele quase letal às vezes. Você nunca sabe o que acontecerá em uma luta do Tony Ferguson, exceto duas coisas: vai ser divertida de assistir, e provavelmente ele terá a mão erguida no fim. Poucos humanos podem igualar o ritmo e pressão de Ferguson, mas Justin Gaethje terá sua chance quando eles duelarem pelo cinturão interino no UFC 249.

2) Dustin Poirier
(25-6, 12 nocautes, 7 finalizações)

Última luta: derrota por finalização para Khabib Nurmagomedov (7/9/2019)

Próxima luta: a definir

Panorama: um dos atletas com mais tempo de UFC e um dos melhores boxeadores da divisão, Dustin Poirier passou por nomes como Anthony Pettis, Justin Gaethje e Eddie Alvarez a caminho da conquista do cinturão interino dos leves contra Max Holloway em uma das melhores lutas de 2019. Foi o ponto alto de uma vida de lutas e garantiu seu encontro com Khabib Nurmagomedov. No UFC 242, Poirier sofreu o mesmo que cada um dos outros adversários de Khabib, mas houve momentos em que a zebra pareceu possível. Um golpe de direita atordoou o campeão no 2º round, e Poirier pareceu perto de encaixar uma guilhotina, mas não conseguiu. Agora, ele busca se reabilitar na corrida pelo título. Ele já possui uma vitória sobre Gaethje na Luta do Ano de 2018, e perdeu para McGregor há muito tempo ainda no peso-pena. Ele havia topado encarar Dan Hooker em algum momento, mas o que é certo quando falamos de Dustin Poirier é que, quando as coisas ficam difíceis, ele morde o protetor bucal e arranja uma maneira de vencer. É por isso que ele é um dos lutadores mais respeitados do mundo, e de forma alguma um degrau para os demais pesos-leves que tentam chegar ao topo.

3) Conor McGregor
(22-4, 19 nocautes, 1 finalização)

Última luta: vitória por nocaute técnico sobre Donald Cerrone (18/1/2020)

Próxima luta: a definir

Panorama: pouco pode ser escrito sobre Conor McGregor que ainda não tenha sido, mas o que importa é que após mais de três anos fora da coluna das vitórias, o irlandês parece focado mais uma vez no MMA, o que ficou claro em seu atropelo sobre Donald Cerrone no UFC 246. A luta foi pelos meio-médios, mas dado o retrospecto de Cerrone de alternar entre as categorias, pode ser considerado igualmente. Desde que se tornou o primeiro homem a ter dois cinturões simultaneamente, McGregor foi elevado ao status de estrela global, empresário e boxeador, quando enfrentou um dos melhores da história em Floyd Mayweather Jr. Mas após ser derrotado por Khabib Nurmagomedov em 2018, alguns se perguntaram se veríamos o “Notório” no Octógono novamente. Durante a promoção do UFC 246, ele disse e fez todas as coisas certas e se mostrou disposto a fazer o necessário. Em seu auge, poucos podem esquecer seu brilhantismo em forma de chutes criativos, poder de nocaute na mão esquerda e provocações, e é isso que faz dele um dos atletas que mais transcendeu o esporte na história. Com apenas 31 anos de idade, McGregor tem um mundo de opções à sua disposição, e mesmo que escolha competir com alguém no topo dos meio-médios como Jorge Masvidal, ou bater de frente com Justin Gaethje, a revanche com Nurmagomedov sempre será o objetivo, ao que parece. Uma luta de McGregor é quase um eclipse solar: cada vez mais raro, mas sempre especial e espetacular quando acontece.

4) Justin Gaethje
(21-2, 18 nocautes, 1 finalização)

Última luta: vitória por nocaute técnico sobre Donald Cerrone (14/9/2019)

Próxima luta: a definir

Panorama: Justin Gaethje talvez seja alérgico à decisão dos jurados. Em toda sua carreira, ele apenas chegou à decisão duas vezes, mas quando você tem o poder de nocaute e o queixo dele, não faz sentido perder tempo. Seu amor pela luta selvagem talvez seja só igualado por Donald Cerrone, quem ele recentemente venceu no 1º round. Desde a derrota para Dustin Poirier em 2018, Gaethje fez o inimaginável e mudou sua abordagem - mesmo que só um pouco. Ao invés de andar para frente como se não houvesse amanhã, Gaethje mostrou um pouco mais de paciência em suas últimas três lutas contra James Vick, Edson Barboza e Cerrone. Quando ele resolveu atacar, no entanto, o adversário sofreu as consequências. Embalado por três nocautes no 1º round, Gaethje pode ser considerado o peso-leve mais devastador que existe, mas não sem competição. Ele ainda é um wrestler All-American, algo que não foi muito visto, mas que se somado com sua pressão e força, faz dele um adversário interessantíssimo para Khabib Nurmagomedov. Em qualquer outra circunstância, Gaethje seria provavelmente o desafiante mais merecedor, mas assim é o peso-leve. No entanto, ele terá a chance de conquistar o título interino no embate com Tony Ferguson no UFC 249.

5) Dan Hooker
(20-8, 10 nocautes, 7 finalizações)

Última luta: vitória por decisão dividida sobre Paul Felder (23/2/2020)

Próxima luta: a definir

Panorama: desde a mudança para o peso-leve, Dan Hooker tem sido imparável. Fora uma lombada encontrada diante de Edson Barboza, Hooker venceu sete de oito lutas nos 70 Kg, com cinco triunfos por nocaute ou finalização. Ele conquistou uma decisão dominante contra Al Iaquinta no UFC 243, se consolidando no Top 10, e fez uma guerra com Paul Felder em Auckland, levando a melhor em decisão dividida. A luta afirmou Hooker no Top 5 e merecedor de uma chance contra os melhores. O atleta da City Kickboxing não se intimidou e fez o pedido ele mesmo, tendo provado que é capaz. Striker de boa envergadura com um justo jogo de chão e poder de nocaute, ele é um empolgante novato no topo da categoria, e é questão de tempo até que tenha a oportunidade de provar o quão bom de fato é.

Ainda no mix:
Paul Felder, Charles Oliveira, Donald Cerrone
Charles Oliveira 2 CT

Panorama: o peso-leve não tem poucos lutadores com nível de campeão e, por isso, não são poucos os casos em que um merecedor acabe pelo caminho. Paul Felder provou a capacidade de lutar com os melhores, mas em um confronto decisivo com Dan Hooker, levou a pior. Ele indicou uma possível aposentadoria, mas enquanto isso não se oficializa, Felder tem poder, técnica e coração para fazer uma luta competitiva contra qualquer um do topo. O mesmo vale para um dos maiores veteranos do jogo, Donald Cerrone. Ninguém duvida das credenciais de Cerrone, mas seu caminho é um pouco nebuloso. Após passar algum tempo nos meio-médios, Cerrone anunciou sua intenção de buscar o título dos leves, inspirado pelo nascimento de seu filho. Ele seguiu impressionando os fãs ao passar por Alexander Hernandez e Al Iaquinta de formas que alguns podem argumentar terem sido suas melhores performances. Uma divertida luta com Tony Ferguson foi encurtada quando Cerrone assoou o nariz, fazendo com que seu olho inchasse e obrigado o árbitro a encerrar o duelo. Desde então, a boa fase de Cerrone sofreu uma virada com derrotas por nocaute técnico no 1º round para Justin Gaethje e Conor McGregor. Ele não vai a lugar algum, então é questão de tempo para que o Cowboy volte a surfar nas ondas da vitória. Falando em vitória, Charles “do Bronx” Oliveira parece pronto para ir de azarão a desafiante. Vencedor de oito em nove lutas (com todas vitórias por nocaute ou finalização) desde o retorno aos leves, ele conquistou seu maior triunfo com a finalização no 3º round sobre Kevin Lee. Ele é o recordista de vitórias por finalização na história do UFC e tem apenas 30 anos de idade. Com a trocação que tem demonstrado nas últimas lutas, ele é um adversário letal para qualquer um na rica em talentos categoria até 70 Kg.

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