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Entrevistas

Gilbert Durinho: da subida de peso à luta pelo cinturão com amigo

Em conversa com o UFC Brasil, desafiante ao cinturão dos meio-médios falou sobre a mudança de divisão, boa fase e confronto com Kamaru Usman no UFC 251

A vida de Gilbert “Durinho” Burns no UFC pode ser dividida em dois períodos: o primeiro vai de julho de 2014 a abril de 2019, e o segundo, de agosto de 2019 até os dias atuais.

Em julho de 2014, o atleta de Niterói fez sua estreia no maior evento de MMA do mundo, trazendo na bagagem títulos mundiais de jiu-jítsu e a fama de ser um “pupilo” da lenda Vitor Belfort no mundo das artes marciais mistas.

Após estrear com vitória na divisão dos meio-médios, Durinho voltou à sua categoria original, a dos leves, já seu próximo combate, somando sete triunfos e três derrotas em cinco anos competindo nos 70 Kg.

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SAN JOSE, CA - JULY 25:  Gilbert Burns poses on the scale after making weight during the UFC fight night weigh-in at the SAP Center on July 25, 2014 in San Jose, California.  (Photo by Josh Hedges/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images)

Apesar do desempenho satisfatório, que fez com que Gilbert flertasse com uma entrada no Top 15 da divisão, o brasileiro tomou uma decisão importante logo após a vitória sobre Mike Davis em 27 de abril de 2019: a de mudar de categoria.

“Foi um pedido da minha esposa, a Bruna”, contou em entrevista ao UFC Brasil, “Depois da minha última luta no peso-leve, a gente foi tirar férias com nossos filhos e a gente estava relaxando, descansando da luta e ela falou para mim - e o jeito como ela falou me tocou bastante -, ‘Queria te fazer um pedido. Eu queria que você mudasse de categoria’”.

“Aquilo me tocou pelo jeito e o momento em que ela falou”.

Durinho resolveu então conversar com seu nutricionista e seus treinadores e, para surpresa do lutador, todos reagiram positivamente: “Era uma coisa que todo mundo queria, mas eu achava que estava certo, que tinha que sofrer”.

E o sofrimento não foi pouco. Pesando entre 85 Kg e 86 Kg em off, Gilbert revelou que para seu último compromisso nos leves, precisou perder 11 Kg em uma só noite, e contou que o corte brusco de peso afetava também sua vida pessoal.

“Eu me isolava muito para não tratar meus filhos mal, não ser desagradável com minha esposa, eu me trancava no quarto sozinho”, disse, “Eu não pensava na luta, só pensava no peso. Ia comer, ficava com peso na consciência. Tinha que ficar mentindo o peso, falava, ‘Falta só 5 Kg’, quando faltavam 10”.

Então, em agosto de 2019, o brasileiro fez seu primeiro teste nos 77 Kg e tirou a invencibilidade de 20 lutas do russo Alexey Kunchenko; menos de dois meses depois, voltou à ação e despachou o ex-Top 15 Gunnar Nelson.

Em sua terceira luta na categoria, Durinho bateu de frente com um de seus ídolos, Demian Maia, e aplicou apenas o 2º nocaute sofrido pelo paulista em 19 anos de carreira; na sequência, em sua primeira luta principal na organização, venceu os cinco rounds contra o ex-campeão da categoria, Tyron Woodley. E assim, em apenas 10 meses, ele foi de um quase estreante na divisão ao 1º colocado no ranking e desafiante ao título.

Brasil

“Eu não sabia o quão rápido ia ser, mas eu sempre acreditei que ia chegar. Essa era minha motivação de acordar cedo, treinar duro, porque eu sabia que ia chegar”, disse, fazendo um paralelo com quando sofreu a primeira derrota na carreira para Rashid Magomedov, em novembro de 2015, “Naquela época, eu me colocava muita pressão, ‘Em tantas lutas vou chegar, até o final do ano vou chegar…’. Aquela derrota foi tão frustrante que parei de botar um prazo. Vou chegar quando tiver que chegar. Agora é a hora certa. Fiz todas as mudanças, comecei a fazer treinamento psicológico, mudei a preparação física, voltei a competir no jiu-jítsu, subi de categoria… estou aqui no momento correto”.

Agora resta apenas um obstáculo entre Durinho e o cinturão do Ultimate: o nigeriano Kamaru Usman, que, além de campeão dos meio-médios, é parceiro de treinos e amigo pessoal do brasileiro.

“Ele sempre falou, ‘Eu sei que todos os caras da categoria que treinam comigo (Robbie Lawler, Vicente Luque, Durinho), eu sei que todos vocês têm família e querem ser campeões. Só porque vocês treinam comigo, não posso tirar essa oportunidade de vocês’”, contou Gilbert.

“É uma situação meio estranha, porque tenho carinho e admiração por ele, gosto dele como pessoa”, continuou, “É um dos melhores parceiros de treino que eu tenho. Mas eu quero ser campeão e a gente vai ter que lutar. Se não fosse pelo cinturão, acho que essa luta não aconteceria, mas, como é, a gente vai ter que lutar”.

Eles vão lutar: dia 11 de julho no UFC 251, na Ilha da Luta.

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