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Entrevistas

Legado em jogo

UFC 232 é a oportunidade de uma vida

Se existe um tema em comum entre os quatro atletas envolvidos nas duas lutas principais do UFC 232 é que o legado está em jogo para todos.

Jon Jones fará seu aguardado retorno à ação contra Alexander Gustafsson em uma revanche do primeiro encontro entre eles há cinco anos, uma luta que é considerada uma das melhores de todos os tempos.

Após a guerra de cinco rounds, Jones falou muito abertamente sobre ter subestimado Gustafsson e não ter se preparado adequadamente. Ele garante que isso não acontecerá novamente.

“Treinando para essa segunda luta, eu e minha equipe percebemos o quão despreparados estávamos da primeira vez”, disse Jones durante conferência telefônica na última quinta-feira, “Alexander trouxe um jogo diferente. Era algo para o que nenhum dos meus parceiros havia me preparado. Nós o subestimamos completamente”.

“Se você olhar, no segundo round eu estava tão cansado que mal conseguia aplicar um double leg. Eu faço double legs desde criança. Eu simplesmente estava cansado. Eu estava exausto naquela luta, mas ainda tive coração para buscar a vitória. Engatei uma marcha completamente diferente nos últimos rounds daquela luta. Sei o quão despreparado eu estava, e vocês verão uma estratégia completamente diferente e uma luta completamente diferente”.

Antes do UFC 232, relembre as melhores performances de Jon Jones e Alexander Gustafsson no Octógono.


Para Gustafsson, a revanche é o ápice de uma rivalidade com Jones que data de 2013, quando ele esteve a um round de dar ao campeão mais dominante da história dos meio-pesados sua primeira derrota legítima.

Por mais que ainda acredite que venceu aquela primeira luta, Gustafsson sabe que vai oferecer a Jones um desafio totalmente novo desta vez.

“Estou física e mentalmente preparado para esse desafio agora”, explicou Gustafsson, “É a hora certa para mim. Sou um tipo de lutador diferente agora. Tenho desenvolvido tudo em meu arsenal. Estou melhor em todos os aspectos. Estou mais rápido que nunca. Sou um lutador mais inteligente”.

“Cada aspecto do jogo está muito melhor agora”.

Veja também: Os melhores momentos de Gustafsson

Enquanto os dois meio-pesados não concordaram sobre muita coisa, Jones e Gustafsson prometeram que os jurados não vão se envolver desta vez.

Devido a primeira luta ter sido tão parelha, Jones não quer deixar dúvidas sobre quem é o melhor meio-pesado do esporte quando o UFC 232 terminar.

“Meu objetivo nesta luta é dominar, liquidar a luta”, disse Jones, “Acredito que é o que acontecerá”.

Gustafsson disse o mesmo, especialmente após ter disputado duas vezes o título do UFC e ter sido derrotado em duas decisões apertadíssimas.

“Estou aqui para liquidar a luta”, disse Gustafsson, “Não vou cometer o mesmo erro pela terceira vez. Não vai acontecer”.

Jon Jones vs Alexander Gustafsson

Na luta co-principal, Cris Cyborg coloca o título peso-pena em jogo contra a atual campeã peso-galo Amanda Nunes em um embate entre, provavelmente, as duas melhores lutadoras, peso-por-peso, da história do MMA feminino.

Cyborg é amplamente considerada uma das melhores lutadoras do mundo há uma década, mas pode-se dizer que Amanda será sua oponente mais dura até hoje.

“Sempre levo a sério toda adversária que eu enfrento”, disse Cyborg sobre Nunes, “Amanda é uma atleta muito boa. Ela é a campeã peso-galo. Sou a única mulher a ter três cinturões em três organizações”.

“Depois que eu lutar com Amanda Nunes, vai ser ótimo não apenas para mim, mas para todo o MMA feminino. Vai ser uma grande exposição para todas”.

Relembre a última defesa de cinturão de Cris Cyborg, contra Yana Kunitskaya, em março de 2018.

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Quando analisando o confronto estilístico, Cyborg respeita as armas que Amanda traz à luta, mas não gasta muito tempo examinando tudo o que sua oponente pode fazer quando se enfrentarem no dia 29 de dezembro.

Ao invés disso, Cyborg prefere fazer Amanda se preocupar com tudo o que verá dentro do Octógono.

“Nunca olho para as ameaças das minhas oponentes”, disse Cyborg, “Treino muito sério para enfrentá-las e estar pronta para qualquer situação. Estou pronta para lutar cinco rounds com Amanda Nunes. Assistir a todas as lutas dela com minha equipe. Sei dos erros dela. Sei dos erros que ela continua cometendo”.

“Sei no que ela é boa e no que não é, mas uma coisa que eu penso é que sempre que piso no Octógono, faço o que tenho que fazer e continuo sendo campeã”.

Confira: Top 7 momentos de Cyborg | O melhor de Amanda Nunes

Ao longo da última década, Cyborg raramente foi desafiada, muito menos chegou perto de ser derrotada por alguma adversária.

Até sua luta com Holly Holm ano passado, Cyborg não havia sequer perdido um round em anos, então não é fácil identificar as brechas em seu jogo.

Amanda entende que Cyborg tem sido uma força da natureza ao longo de sua carreira, mas isso não significa que ela é invencível somente porque ninguém ainda encontrou uma maneira de vencê-la.

“Todos sabemos que a Cris é poderosa. Ela é forte. Sabemos disso. Vamos ser sinceros”, disse Amanda, “É claro que todo lutador comete erros. Todos cometem erros. Mas às vezes as pessoas não sabem capitalizar e fazer algo a respeito na luta. Isso é o importante”.

“Ela é humana. Ela comete erros e estamos treinando em cima de cada brecha dela, e também treinando para as coisas boas que ela faz”.

Em sua primeira defesa de título, Amanda Nunes venceu a ex-campeã Ronda Rousey. Assista e relembre.

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Uma vitória no UFc 232 pode fazer de Amanda a primeira mulher a ter cinturões do UFC em duas divisões de peso, assim como a primeira mulher a fazê-lo simultaneamente.

Somente essa conquista colocaria Amanda em uma categoria só dela, mas somadas as vitórias sobre Ronda Rousey e Miesha Tate, seu currículo seria virtualmente inigualável na história do esporte.

“Sim, é claro”, disse Amanda quando perguntada se uma vitória sobre Cyborg faria dela a melhor de todos os tempos, “Acho que a Cris é a melhor na divisão dela”.

“Essa luta vai me colocar em um nível diferente, 100%”.