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Lifestyle

“Não reconheço aquela luta como uma derrota. Para mim foi um aprendizado”, diz Johnny Walker

O atleta, que está fazendo preparação mental antes de seu próximo desafio no UFC Brasília, em 14 de março, está treinando com o ex-técnico de Georges St-Pierre

Johnny Walker não teve um fim de ano exatamente tranquilo. O atleta, que vinha de uma sequência de nove vitórias, três no UFC, sofreu sua primeira derrota na organização no evento de número 244, em novembro, em Nova York. Depois, desentendeu-se e rompeu com seu treinador.

Agora em janeiro, em pleno rigoroso inverno canadense, mudou-se para Montreal, para fazer o camp para sua próxima luta, marcada para o UFC Brasília, em 14 de março, com Firas Zahabi, que foi coach do ex-campeão do UFC Georges St-Pierre.

Apesar das mudanças e turbulências, Johnny diz que agora está bem, com a cabeça boa. E que não reconhece sua luta contra Corey Anderson como um revés. “Essa derrota nem me afetou muito”, confessa ele. “Só me mostrou a verdade e alguns caminhos. Aprendi muito com ela. Aprendi que eu não posso ficar no modo automático, não posso só achar que as coisas vão dar certo. Essa luta não foi uma derrota para mim, foi um aprendizado. E tudo na vida é experiência.”

Ele continua o desabafo: “Essa experiência foi muito boa porque me deu um choque de realidade para eu saber onde eu estava, para onde queria ir, meus objetivos, meus sonhos. Para essas coisas virem à tona de novo. Estava tudo meio que escondido lá no fundo do baú. Trouxe tudo à tona e tomei um choque de realidade. Vi o que podia acontecer, o que não podia, as pessoas que estavam ao meu redor, o que eu tinha que fazer na minha carreira, na minha vida. Hoje estou sendo muito mais profissional comigo, com meus treinos, com meus managers, fazendo um gerenciamento melhor da minha carreira e da minha vida. Errar é humano, mas permanecer no erro é burrice. E eu não vou permanecer no erro”.

"Eu estava tentando mostrar que não tinha nada de errado por fora, mas por dentro eu estava quebrado"

Johnny Walker

Johnny procurou Firas Zahabi no Canadá, onde está preparando-se para voltar ao octógono contra Nikita Krylov em Brasília. “Foi duro tomar esse choque de realidade em relação às pessoas que estavam ao meu redor. Eu achando que era todo mundo no amor, todo mundo comigo na vitória e na derrota, mas vi que na vitória a galera fica toda feliz. Tem dinheiro, bônus. Mas na derrota, como o dinheiro vem pouco… Recebi até notícia que eu tinha pagar um pouco a mais para não sei quem, que precisava…”, Johnny fala, sem citar o nome de ninguém. “Esse foi o choque de realidade que tomei. Vi quem estava do meu lado e quem não estava. Foi um dos motivos pelo qual eu mudei de coach também. Isso me fez evoluir como ser humano, como pessoa, como lutador.”

Johnny diz que, com esse episódio, percebeu também a importância de estar com a cabeça boa, de treinar seu psicológico. A bem da verdade, ele já havia começado a trabalhar com um coach mental, o gaúcho Lincoln Nunes, uma semana antes da luta contra Corey. Mas Johnny não se envolveu de verdade no trabalho.

“Eu não fui muito sincero com ele”, revela – agora, sim, num ataque de sincericídio. “Não dei muita bola, não botei muito foco, não falei dos meus problemas, do que estava acontecendo, da minha cabeça. E vi que poderia ter sido diferente o resultado dessa luta se eu fosse mais honesto e tivesse trabalhado um pouco minha parte mental, porque o grande erro do combate foi ela. Eu estava tentando mostrar que não tinha nada de errado por fora, mas por dentro eu estava quebrado.”

Johnny diz que entende a importância de ter um psicológico forte no universo esportivo, especialmente no da luta. “Quase 100% da luta é mental”, afirma ele. “Como lutador, você está sempre treinando seu corpo, todos os dias. Mas e a mente? Você também tem que treinar. Ela pode enganar você, mas também ajudar a imaginar o que você quer ser. A mente é construtiva. Você pensa e constrói.”

Mesmo no Canadá, Johnny faz uma sessão por semana com seu coach. “A primeira para este camp foi quinta-feira (23), e vamos tentar fazer todas as quintas, todas semanas”, conta. “Ele me passa algumas ferramentas que posso usar para melhorar meu desempenho. Coisas positivas, como ouvir uma música que me ative, que me dê animo, alguns livros, exercícios, técnicas, palavras, coisas que possam agregar ao meu jogo e me manter em alta performance. O que você pensa, você é, consegue produzir.”

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Ele diz que agora também está se sentindo com mais coragem para tomar as rédeas de sua vida e fazer o que acha que está certo. “Agora estou muito melhor, com a cabeça boa, numa academia boa, com as pessoas certas. Se eu tiver que fazer alguma mudança, vou fazer. Estou com coragem agora para fazer mudanças porque não quero ser afetado. É minha carreira, é minha vida que está em jogo. Se tem algo que não está funcionando direito, vou cortar logo pela raiz. Vou investir mais em mim, confiar mais em mim mesmo.”

O lutador carioca conta também que não se sente pressionado para voltar ao Octógono. “Não sou afetado por pressão nenhuma, mesmo se for disputar o cinturão, mesmo se fosse invicto. Sei lidar com isso, não me afeta nem um pouco. Sei do meu potencial e sei onde vou chegar. Com derrota, mesmo não sendo invicto, vou continuar meu caminho. Vou cravar meus pés nesse trilho para nunca mais descarrilhar de novo.”